Pois é. Pra você vê.

essa estava enterrada, mas o momento é propício...

- Olá. Posso me sentar? Como está?

- Mal

- Denovo?

- Pra você vê.

- É mulher...

- Pois é.

- Pior que a Marcela?

- Pior.

- Mas ela era demais! Linda, corpinho escultural, toda delicadinha. Arquiteta bem sucedida, carreira decolando. Carinhosa, gostava de você... um futuro juntos.

- Pois é. Pra você vê. O plano perfeito, mas eu não queria aquele futuro...

- Pior que a Andreza?

- Pior.

- Ah, não! Ela era incrível! Mulher poderosa, diretora de não sei o que, gostosa, linda! Te idolatrava.

- Pois é. Pra você vê. Mas, depois de algum tempo juntos, o sino não tocou...

- É pela professorinha?

- Pior que é.

- Mentira! Não acredito. Avisei que estava fadado a dar errado, a mulher só te maltratava, era doida, confusa.

- Pios é.

- Não acredito que você esta assim por causa da gorda da professorinha?

- Pra você vê.

- Isso é só porque ela não te quer.

- Pois é. Pra você vê.

Obrigado

Obrigado por me mostrar como é estar na pele das minhas vitimas.

Obrigado por confirmar o que eu já desconfiava: quando chegasse a minha vez ninguém teria piedade.

Obrigado por me mostrar que, como suspeitava, somos humanos e nos permitimos tentar, arriscar e seguir em frente, não importando quais as conseqüências para o outro.

Pois buscamos a nossa felicidade, e ela nem sempre concorda com a felicidade do outro.

Obrigado por me ensinar que sou bem mais vil do que imaginava, e isso não é culpa sua, mas você foi um canal para que essas atitudes surgissem novamente.

Obrigado por me ensinar que os defeitos são latentes, e só depende de mim permitir que eles aflorem.

Agradeço por ter mostrado o que eu tenho de pior e o que eu tenho de melhor.

Pois pude perceber que o que existe de bom em mim é muito maior do que existe de mal.

E que a minha bondade é incondicional, enquanto que a minha maldade tem endereço certo.

Agradeço também por ter me mostrado que nada do que fiz no passado, com outras pessoas, é condenável.

Porque hoje podemos machucar e amanha sermos machucados.

E ferir ou não o outro é uma condição humana na busca da felicidade e da realização, e não um defeito de caráter, pois nem sempre acertamos nas nossas buscas.

Obrigado por me mostrar a magia de ser humano, com todas as nuances de altivez e baixeza que isso pode ter.

felizes são os ignorantes

Estive no café filosofico da CPFL nesta quarta, dia 11. Tema Etica: Socrates e Kant. Como já disse aqui: tudo o que produzimos de conhecimento humano é uma nova maneira de dizer o que já sabemos. E descobri que a minha moral, a minha é tica tem dois nomes: A Etica Relativista e a Etica Utilitarista. Resumidamente, a Etica Relativista diz que os fins não justificam os meios, ou é, ou não é. E a Etica Utilitarista diz o oposto. Eu acredito nas duas. E acho que o que separa o joio do trigo é a moral. O que vai contra meus principios morais, não se relativisa. Preciso refletir mais sobre ter duas Eticas.... Mas o mais interessante é que em determinado momento o palestrante manda essa: "Os ignorantes é que são felizes. Quem pensa é triste" Nossa, morderam a isca na hora. Gente protestou "Eu penso e sou feliz!!" HAHAHAH É impressionante como falar para alguem que ela não pensa, ou não é feliz, ofenda tanto. As pessoas realmente ficam putas. Parece que é inadmissivel ser infeliz. O palestrante ainda explicou: "Quem pensa fica relativizando sobre a alegria, o pq é triste, o que o faz ser alegre, e pq fica triste e etc. O feliz simplesmente o é." Abandonei esse blog por uns dias. Fui muito feliz neste período...

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector

ando só pois só eu sei pra onde ir por onde andei ando só nem sei por que não me pergunte o que eu não sei

pergunte ao pó desça o porão siga aquele carro ou as pegadas que eu deixei pergunte ao pó por onde andei há um mapa dos meus passos nos pedaços que eu deixei

desate o nó que te prendeu a uma pessoa que nunca te mereceu desate o nó que nos uniu num desatino um desafio

ando só como um pássaro voando ando só como se voasse em bando ando só pois só eu sei andar sem saber até quando ando só

humberto gessinger

O ciúme dói nos cotovelos, na raiz dos cabelos, gela a sola dos pés.

Faz os músculos ficarem moles, e o estômago vão e sem fome. Dói da flor da pele ao pó do osso. Rói do cóccix até o pescoço Acende uma luz branca em seu umbigo, Você ama o inimigo e se torna inimigo do amor. O ciúme dói do leito à margem, dói pra fora na paisagem, arde ao sol do fim do dia.

Corre pelas veias na ramagem, atravessa a voz e a melodia.

caetano veloso

Permissão

Eu acredito da permissão do amor. Acredito que nós nos permitimos amar, que permitimos alguém entrar em nossas vidas, por terem características tais que mereçam receber o que chamamos de amor. Independente de quem seja. É claro que isso não é consciente, muito menos racional. E quando a dor do rompimento e da rejeição gera raiva, rancor, ciumes, desejo de posse, e invariavelmente obsessão, isso é qualquer coisa, menos amor. É claro que isso é só racionalização. Mas eu não conheço maneira melhor de um sentimento aumentar do que sentindo. E maneira melhor de um sentimento acabar do que pensando.

ressaca pós-multidão

Eu sofro do que chamo de ressaca pós-multidão.

Acho que o sentimento de inadequação é tão grande que, quanto mais gente, maiores os parâmetros de comparação para se sentir deslocado. Mesmo entre amigos, mesmo entre conhecidos. Há um momento da noite que irei brincar de ilha. E no dia seguinte sempre bate a tal ressaca.

Especialmente se estou encarando uma multidão esperando atenção de uma pessoa.

Ai se não respirar fundo e contar ate dez, é pânico na certa. Sempre fico comparando, que os outros se divertem mais, que tem mais atenção, que os assuntos são melhores, que dançam mais e melhor (isso é verdade), que tem mais atenção das mulheres (isso com certeza é verdade). Pra variar presto mais atenção nos outros do que em mim, e óbio, não posso aproveitar a festa pq não estou lá. Mas também quando estou concentrado no meu momento, uma hora acho que estou perdendo todos aqueles momentos que não estou participando.

Pra mim, cinco pessoas já é multidão.

Pq acima desse numero fica bem mais dificil ter atenção de todo mundo ao mesmo tempo.

E sempre que me sinto deslocado e inadequado tenho uma vontade louca de ler, aprender, escrever alguma coisa. Como se em alguma teoria morasse as respostas para o que estou sentindo naquele momento. Quantas vezes não parei numa banca, altas da madrugada, para comprar um revista bem “cabeçuda” e teórica. O mais engraçado é que sempre funciona.

Acho que já esta na hora de perceber que o que preenche o meu vazio não é corpo, é mente.

Puta merda, nessas horas meu cérebro coça. Da uma vontade danada de encarar uma teoria daquelas que não se entende direito de primeira, nem de segunda. O que no meu caso não precisa ser muito complicada, o que facilita bastante encontrar uma.

O lado bom de brincar de ilha no meio da multidão é que as vezs eu tenho umas sacadas genias. A melhor delas em geral é resolver ir embora.

Mas outras coisas vem a mente, e as vezes são úteis.

Descobri numa dessas que tenho um buraco quadrado dentro de mim, que sempre tento preencher com pessoas redondas, ou de qualquer outra forma. Resultado, sempre fica um canto, uma beirada vazia. As vezes forço um pouquinho pra ver se cabe melhor. Mais ao cobrir um canto, outro se descobre.

Hoje eu tenho uma obsessão redonda para o meu buraco quadrado.

Há obsessões que são movidas pela vontade de preencher. E há as obsessões movidas pelo desejo de expandir. O problema é que eu dificilmente sei qual é qual. E em geral é brincando de ilha que eu descubro.

Esta noite eu brinquei um pouco de ilha, lambendo uma ferida quadrada, causada por uma pessoa redonda, e conclui satisfeito: Não há desejo que sobreviva ao Créu.

Ta bom, não foi?

Este post poderia estar no blog Pensamentos Clandestinos Mas um amigo em comum, me disse: "Quando vc goza, ou pensa em alguem que comeu, ou que esta comendo, ou que quer comer. Não tem jeito." E não é que é verdade...

cada dia dói menos. um dia irá parecer que foi com outra pessoa...

Em Dó menor

Quando sofro de amor, sofro escutando Chico Buarque. Porque, segundo a Todynho, é melhor sofrer em Dó menor do que sofrem em silencio. Quando olhaste bem nos olhos meus E o teu olhar era de adeus Juro que não acreditei, eu te estranhei Me debrucei sobre teu corpo e duvidei E me arrastei e te arranhei E me agarrei nos teus cabelos Nos teu peito, teu pijama Nos teus pés ao pé da cama Sem carinho, sem coberta No tapete atrás da porta Reclamei baixinho Dei pra maldizer o nosso lar Pra sujar teu nome, te humilhar E me vingar a qualquer preço Te adorando pelo avesso Pra mostrar que ainda sou teu Composição: Francis Hime/Chico Buarque

Ontem um amigo me disse que eu teorizo muito as coisas, e isso me atrapalha. Não sei se concordo totalmente com ele. Preciso de uma teoria mais elaborada sonre isso...

Quando o cérebro se faz necessário, músculos não dão conta. Quando o coração se faz necessário, o cérebro não dá conta. Quando a alma se faz nesserária, o coração não dá conta...

Palestra A Alma Imoral

A tempo, atualizo aqui a palestra que vi com o autor do livro A Alma Imoral, Nilton Bonder, dentro do programa da CPFL Cultura, o Café Filosófico. Apesar da mediação bem mediana, do foco da palestra cair rapidamente para a peça (brilhante a peça de teatro inspirada no livro, mas não era o tema), pude pinçar pequenas pérolas: - A monogania é uma forma de acomodar as tensões da sociedade em busca da procriação. Caso contrario, apenas os homens e mulheres mais lindos e ricos teriam chances. - O corpo, ao contrário do que o senso comum normalmente prega, é o representante da tradição, das raízes. - O unico modelo de revolução das relações pessoais proximo ao da internet é o dinheiro. - O que distingue o homem dos outros animais, não é a capacidade de competição, mas sim a capacidade de criar vínculos. - As nossas identidades não podem ser um aprisionamento. - Não preciso me legitimar através da ilegitimidade do outro. - Existem fidelidades tão imorais e traidoras quanto a própria traição.

Alegrias Emprestadas

Estive em dois casamentos seguidos. Um por dia. Não fui em muitos casamentos na vida, mas dos poucos que fui percebi que, independente do credo ou classe social, todos são iguais. A cerimônia muda, o sacerdote muda e a qualidade do Buffet e do uísque também mudam. Mas no geral, a dinâmica da coisa é a mesma.

Pais, parentes e amigos, que os noivos acreditam estarem feliz por eles, confraternizam uma alegria que não é deles. Refleti seriamente sobre quem, apesar de feliz pela felicidade dos noivos, realmente se importaria de estar ali ou não. Conclui que fora quem estava no altar e na primeira fileira, quase ninguém.

No primeiro casamento que fui realmente estava contente por estar lá e ver a alegria de uma amiga por estar casando a moda antiga (véu, grinalda e igreja). Então me detive a observar o desenrolar da festa. Todas as mulheres montadas como arvore de natal e o os homens no terninho do uniforme. Entendi depois de um tempo que casamento é como carnaval, vc passa um tempão esperando o dia, escolhendo a fantasia, vestindo a fantasia e no dia tão esperado ela não dura nem 15 minutos montada.

No segundo casamento estava ali totalmente penetra. Convidado de uma convidada. Casamento para certos convivas é uma situação tão constrangedora, que precisam de alguém para lhes segurar a mão. Como não tinha que observar nenhum conhecido ficando bêbado, para depois cair na risada, me detive observando a dinâmica social da coisa. Convidados, de todos os lados (do noivo e da noiva) cada um no seu lado e ao seu modo dançando e bebericando. Alguns nitidamente (como eu) só para dizer que participou da festa, afinal já estava lá, ai sair com cara de que nem se divertiu?

Foi ai que comecei a perceber o quanto se pega emprestado as alegrias dos outros. Muitos com certeza estavam ali como eu, se estivessem em casa vendo TV dava na mesma. Alguns sorrisos amarelos aqui, outros ali, e alguns comentários escutados de penetra, comecei a perceber o tamanho do mico que uma festa de casamento pode se tornar. Já tinha ouvido falar que agente não faz festa de casamento para nós mesmos, mas para os outros, principalmente pai, mãe, tias e parentes serpentes.

Agora eu me pergunto: Porque eu convidaria para uma mesma festa, pessoas completamente diferentes e opostas, quando não conflitantes, que eu passei todo o tempo até ali me esforçando para que elas não se encontrassem?

Faz um tempo fui em um casamento na família. E como só tem maluco mesmo, o que mais me diverti foi rindo da operação logística formada para que tias, ex-esposas, parentes em geral que estavam brigados não fossem parar na mesma mesa.

Acho que festa de casamento é aquele tipo de coisa que parece besta e sem sentido, mas que se você não faz perde metade da diversão.

O saldo da primeira noite foi OK. Risadas, papo descontraído com o pessoal do trabalho, ver a alegria de uma amiga querida. Apesar de no fim da noite ser agredido gratuitamente, por um único erro de amar a pessoa errada e talvez não ser capaz de entende-la. Mas isso é outra história.

O saldo da segunda noite foi bem mais legal. Como não conhecia ninguém, minhas observações puderam ser bem mais acidas. Mas o principal foi que esse convite me ajudou a sair de baixo das cobertas, perceber que existem pessoas que me querem e me gostam, e que posso ter uma noite maravilhosa que termina numa manhã.

Pondo pra fora

Há tempos não escrevo por aqui. Talvez porque não tenha acontecido nada tão importante, ou pq nada tenha doído o suficiente, talvez pq não fiz nenhuma reflexão digna de nota. Mas o mais provável é que estava letárgico mesmo.

Acho q tomei meu primeiro pé na bunda...rsrsrs

E isso é uma coisa boa.

Sou a favor da terapia de choque.

E sempre achei que, estando deste lado da moeda, eu aprenderia muita coisa. E realmente aprendi.

Para ela foi o post abaixo (O Assombro), quando me encontrei assombrado com a minha decisão. Ia me entregar, amar e aceitar isso e foda-se o mundo. E foi o que fiz.

Kamikazee total eu sei, mas não me perguntem pq resolvi fazer isso logo agora e nessa situação, eu não sei. Talvez isso tivesse latente para acontecer, tivesse chegado ao limite e a oportunidade apareceu.

Nunca havia sido rejeitado (palavra feia, mas na falta de um sinônimo melhor...) após ficar com uma mulher. Sempre fui eu quem terminou. E desta vez curti esse sentimento da rejeição. Talvez seja mais o sentimento de “desapontamento”. Afinal resolvi investir sentimentos e me desarmar, e gostaria de curtir isso mais um pouco. Acho q é isso, é a sensação de que tinha que acontecer mais coisas, que me frustrou mais.

Sempre tive certeza que após ficar com alguém era inevitável, ela iria se apaixonar. E perceber que sou falível me fez ver uma série de coisas.

O mais importante disso tudo, tempos depois, após alguma reflexão e após o pé, aprendi uma coisa: Não é a pessoa que importa, e sim o cargo que ela ocupa.

Uma coisa eu já sabia, produzo mais, sou mais centrado e mais sereno quando namoro. E sempre acreditei que fosse, afinal, simplesmente o suprimento de uma carência afetiva que me equilibrava.

Descobri, assombrado, que a coisa é mais em baixo. É como se não fizesse as coisas por mim, mas por alguém. Trabalhar, estudar e me equilibrar para ser melhor para alguém, antes do que pra mim.

E esse alguém realmente não interessa, essa foi a minha maior descoberta.

De posse dessa informação nova, terei que rever alguns contratos “internos”.

Rever conceitos e motivações.

Nunca pensei que a falência me levaria tão pra cima.

O Assombro

Quando surpreendo os outros, uso os truques que já prendi. Ultimamente ando surpreendendo a mim mesmo e me descobri um mago diante de quem eu julgava ser.

Traindo o que a lógica e todo o racionalismo me dizia (para não trair a minha alma), descobri assombrado toda a força da conquista de mim mesmo.

Enquanto caía nas seduções do correto, do lógico, do “moral”, e assim do previsível, não entendia toda a perspectiva que a minha alma criava, todo a grandeza que é romper padrões, pecar e ser livre, elevar o espírito.

As surpresas do incerto, do relativo, das misturas, dos erros, das espontaneidades ou dos pecados, fortalecem a minha alma e me oferecem o nutriente mais importante: a evolução.

Quando não estou satisfeito em relação a algo, com certeza não estou sendo mais honesto em relação as minhas intenções sobre isto. O estado de conforto em que me encontrava já tinha de tornado letargia e isto estava me gerando muita insatisfação.

Estava há muito tempo confortável com o correto, mas havia me esquecido do bom. Estava em dia com as minhas obediências, mas havia abandonado as transgressões que tanto promovem mudanças e evoluções.

Minha vida é pautada constantemente por alternância do estado letárgico e desperto. E cada vez que faço o esperado reforço o meu padrão automático de torpor. E com isso vou gradativamente me perdendo de mim mesmo.

Só há saída no assombro, na surpresa. É me horrorizando com o meu estado letárgico que percebo o quanto estrito era o lugar em que eu estava.

Transgredir é um processo, e o momento em que me volto para uma nova direção marca um novo segmento na minha vida. É neste momento que algo também dentro de mim não quer a mudança, é o conforto da letargia. O momento que precede a mudança sempre gera confusão, desorientação.

O maior pecado que eu poderia cometer contra mim mesmo seria não dar este primeiro passo rumo á mudança, não usar todo o potencial da minha vida. Minha alma encontra novos objetivos para minha vida e assim me fortalece. É através destas mudanças que encontro um novo bom. Quem tem coragem de bancá-las não conhece a depressão.

A rebeldia que minha busca instala na minha alma faz dela um instrumento para o rompimento de normas, convenções e padrões. É a tradição que a letargia traz em si que faz um campo fértil para a transgressão. A tradição é o compromisso com o passado e com o que é esperado de mim em meio a todas as demandas do futuro.

Há uma disputa permanente entre o bom da tradição e o bom potencial da mudança. O bom que a mudança pode me oferecer só conhecerei transgredindo, mudando.

Mas também posso ficar seguro e na dúvida. Resta uma escolha.

A mudança estende o meu visto de permanência na vida, porque a própria vida é a possibilidade de definir novas mudanças para si mesmo.

pensamento solto

Um dia criamos um blog, avidos para compartilhar com o mundo tudo o que passa nas nossas cabeças, angustias, alegrias, pensamentos. Um lugarzinho onde podemos dizer coisas que não teriamos outra oportunidade, para nos escutarem e principalmente entenderem. (certas viagens só lendo com calma e varias vezes...rsrs) Convidamos amigos, parentes e desconhecidos para prestigiar e comentar. Ai um belo dia acordo, olho para a tela em branco e penso: "Putaquepariu, tanta coisa que eu gostaria de escrever mas não queria que ninguem lesse...

As descobertas das nossas rodas

Faz algum tempo venho refletindo sobre algumas descobertas recentes que fiz. Descobertas intelectuais e emocionais. A cada descoberta tenho uma incomoda sensação de que eu já sabia. Como aquele sentimento que temos ao corrigir uma prova e ao vermos os erros que cometemos pensamos: “mas eu sabia...”. Uma sensação estranha de que nunca descubro nada novo, apenas revelo algo já conhecido meu e de muitos. Quer me ver puto dentro das calças é contar todo feliz uma sacada genial que tive para alguém, e esse emendar a frase com: “nosso, já pensei nisso, e ainda acho...” e completar minha brilhante descoberta. Pensando nisso fiz um pequeno levantamento de sacadas, insights e pensamentos geniais que tive e escutei nos últimos anos. E descobri estarrecido (não muito, pois no fundo eu já sabia...rs) que todos os avanços do pensamento humano sobre si e sua sociedade, nada mais são do que falar de uma nova maneira do que já é conhecido! Chocante não? É, mas parece que essa sutil diferença, de falar de uma nova maneira do que já conhecemos, é que faz a evolução do conhecimento humano sobre si. Fiz um curso de historia da religião há algum tempo e todo momento cruzávamos trechos dos distintos livros de cada religião (bíblia cristã, vedas hindu, al corão islâmico, etc) e encontrávamos, se não trechos idênticos, idéias complementares. Entre os livros de auto-ajuda, filosofia e outros pensamentos, também encontro a mesma idéia repetida de formas diferentes. Isso me deu um alivio danado. Afinal, não estava errado em me instruir e tirar algumas conclusões, por mais que elas já tivesse sido ditas por outro alguém. Cada vez que tomo um pensamento alheio como meu, o incluo em meu repertório e o devolvo com uma virgula a mais, estou contribuindo para a evolução do pensamento humano sobre si mesmo. Digo isso com alivio, certo de que alguém antes e depois de mim dirá o mesmo.